Trabalhadores da fábrica Alassola, em Benguela, dizem-se abandonados

Trabalhadores da fábrica Alassola, em Benguela, dizem-se abandonados

Três semanas após a reabertura da fábrica de tecidos de Benguela, agora denominada de Alassola, a Comissão Sindical da antiga África Têxtil revela que os mais de 400 operários desempregados devido à falência estão abandonados pelas autoridades.

A dívida do Governo angolano, relativa a salários, fundo de segurança social e indemnizações, é de 947 milhões de kwanzas, quase 10 milhões de dólares norte-americanos antes da crise.

A satisfação do Governo manifestada no acto de reinauguração contrasta com o sentimento dos operários.

O primeiro secretário da Comissão Sindical, Rogério Cabral, explica que o processo até já se encontra no Instituto para o Sector Empresarial Público, depois de ter passado pelo Ministério da Indústria, mas o espectro de abandono continua patente.

"Não somos valorizados, já que há mais de 15 anos estamos na expectativa. Como se diz, estamos a ser abandalhados, não há solidariedade institucional entre os Ministérios, pelo que poderemos acabar por desaparecer"", ressalta Cabral, para mais adiante ironizar com a ""estória de um camponês esperto"".

Cinquenta e um dos 435 operários da antiga África Têxtil perderam a vida ao longo dos quase 20 anos de batalha, marcados por várias promessas, sendo uma de um primeiro-ministro, Fernando da Piedade, hoje presidente da Assembleia Nacional.

"Esses companheiros falecidos têm herdeiros. Portanto, são estes, herdeiros directos, que ficarão com as quotas dos seus ente queridos"", esclarece o sindicalista.

A par do assunto, o secretário-geral da UNTA-CS em Benguela, Joaquim Laurindo, revela que há um contencioso, mas prefere acreditar no bom senso do Governo

"O processo está ao mais alto nível. Daqui a dias, terei informações sobre o contencioso, é bom sublinhar que há um contencioso"", mas as coisas estão no bom caminho"", adianta o sindicalista.

Com 90 jovens formados por especialistas brasileiros, a Alassola, indiferente à falta de matéria-prima nacional, prevê uma produção anual de um milhão e 608 mil peças de lençóis, 12 milhões de peças de toalha e 120 mil peças de cobertor.

Refira-se que o Ministério da Indústria apontou sempre a falta de recursos para justificar a situação dos antigos funcionários da fábrica de tecidos.

Fonte: www.voaportugues.com

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